quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
EMILIO CAMBEIRO - GALIZA
Esta
noite pasada, voltando para a casa ás tres e pico da mañá, ao xirar
unha ruela calquera da Alfama profunda atopeime mesmo de frente a un
ruso impecabelmente vestido de branco, barbazas mestas, cabelo
longuísimo e mal coidado; a xogar cun puñal de 8 cms de folla branca
entre os seus fráxiles dediños.
Acojoneime. Acojoneime como
cando de novo ía roubar as fresas do tío Pedro e este botábanos ao
Soult, o seu pastor alemán. Mais de súpeto unha risada familiar
tranquilizoume; e máis tranquilizáronme as palabras a seguir á risada.
Non te preocupes Emilio, é Rasputín. Un colega. Mirei ao lugar de onde
viñera a voz, e alí sentados nunhas escadiñas estaba o Antonio Mira
xunto cun mariñeiro.
O mariño ergueu e chamou polo ruso. Despediuse cun aceno do Antón mentres eu seguía alí no medio, pet...rificado,
co medo pasado pola figura sinistra do tal Rasputín. Os dous individuos
perdéronse na noite entre as ruelas, mais podíase escoitar sen problema
a voz ronca do ruso a dicir: Viches Corto. Viches ise grande que case
morre só con me mirar? Sabes que se quixera o podería matar. Sábelo,
vérdade?
Boteille un brazo por riba ao Antón. Veña, preciso
dun trago. Dixen con pingas de suor frío a percorrer aínda a cara.
Mentres que encamiñabamos os pasos por unha rueliña diferente do que ía a
outra estraña parella.
Mais con quen é que te xuntas ti agora,
meu Antonciño. Acertei a dicir. Con outros coma nós. Respondeu o amigo
cun enorme sorriso.
Sabes? Aínda me caeu ben o tal Rasputín. Mais o outro, o mariño co que estabas sentado... tíñache unha cara de papahostias!!!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
JOAO SOUSA - PORTUGAL
"Insónia" (da série "O Mundo Criou-se Sozinho")
Revivo a ausência de sono. Ou será a falta? Estou à tua espera há 2
meses e meio, a porta continua aberta… até porque perdi a chave do
cadeado e, já sabes, a fechadura foi arrombada e eu não tenho sessenta
euros para mandar por uma nova. Sem dinheiro não temos como mandar nada,
dar ordens a ninguém, fazer ponta de corno. Já sabes. Recorrentemente
vou indagando pelo tempo, como se tu soubesses tudo, como se a torneira
da cozinha não pingasse de 30 em 30 segundos, como se tu tivesses a
solução para o Mundo inteiro menos para mim.
Vou padecendo
desta enfermidade recorrente, uma doença do sono que dura 24 horas do
meu dia, e apenas uma hora do teu. Primeiro tentar deitar-te e conciliar
o sono com este acto que te ensinam logo que sais do útero. Depois,
quando concebes dormir na hora certa, vais acordando a meio de todas as
noites. E quando já és uma espécie de doente terminal (ou assim me disse
o médico e também a wikipédia), dormes a noite quase toda, e acordas às
5 da manhã, despertando 3 horas antes do comum, da hora do despertador,
da hora do autocarro, da hora do comboio, da hora da puta que te pariu.
Não consegui limpar a casa toda. Deu-me um ataque de asma súbito… o pó
subiu ao nariz. Sempre me disseste para ter cuidado com o pó no nariz.
Mas sempre me quis mostrar mais forte e capaz que qualquer outra pessoa.
E sou. Sou tão forte e capaz como qualquer outra pessoa inserida nesta
piscina de genes procriados e transformados, conforme o evoluir dos
tempos. Esqueceram-se de me moldar os genes para dormir o suficiente. Eu
não durmo o suficiente. É doença da alma? Se é doença da alma não há de
ser a limpar a casa e levar com o pó que melhorarei. Mas eu quero ficar
melhor?
Não me aborreças. Pára de me bombardear com termos
técnicos. A vida já técnica o suficiente sem esses teus termos. Fecha a
porta mas deixa a luz acesa, estou farto que me apaguem a luz quando
preciso dela acesa. E garanto que não é por culpa da merda da luz que
não durmo. Eu não durmo e ponto final. Ponto Final, parágrafo.
Não
tenho como pagar a conta do médico. Sei que podia ir para um público,
mas a vida é demasiado irritante sem dinheiro, quanto mais frequentando
hospitais ou centros de saúde públicos. Semi-públicos ou
pseudo-privados, heis a questão! Heis a grande escolha que um homem da
classe inexistente deve realizar. Coloca-me os problemas matemáticos que
quiseres e eu responder-te-ei sempre com uma solução baseada noutra
pergunta. Vou-te gerar problemas bem piores quando me pedires para te
responder seja ao que for. Desliga a tomada do candeeiro, mas não
apagues a luz do tecto, por amor de… por amor a mim, se ainda há.
Mais
uma e outra noite e eu continuo a ouvir o cão vizinho. O cão do
vizinho. É enorme e ladra muito. Para além disso faz lembrar uma espécie
de primeiro-ministro de uma ditadura democraticamente mascarada. Fala,
grita, e quando fala e grita faz com que todos os que fazem parte da sua
máquina governativa falem e gritem ao mesmo tempo. Esses, fazem com que
todos falem e gritem ao mesmo tempo. Cambada de fanáticos! A minha rua é
isto mesmo… um autêntico parlamento de cães… ou um dia de campanha
eleitoral de todos os partidos concentrados na mesma rua, das 22h às 4h
da manhã.
João Sousa, Zambujal (S.Domingos Rana), Outubro 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
RHO DOURADO MCLEOD - GALIZA
Beyond the lochs of the blood of children of men...
Hoxe fiquei soa coas pantasmas que atormentan o meu clan. Subo ao meu
Cuillin particular e observo. Aínda o eco devolve golpes mortais da
Coire Na Creich. Sinto a presenza dos cervos e doume conta que Bruach
tamén fita abraiada para a mesma peza teatral.
Aló abaixo,
onde o ceo ten sempre a mesma cor, encóntrase o inmenso formigueiro de
tixolo que cobre o val da miña estirpe derrotada. Os meus ollos penetran
o ventre perpetuo e castigado cun parto infinito de exércitos escuros.
Formigas autómatas que gravitan nunha danza medida polo compás das
máquinas e a tonalidade das cores: vermello silencio, laranxa allegro,
verde adagio... o claxón imposíbel marca entre bambalinas o cambio de
escenario. Tempo inmediato, movementos prestos que deixan
a súa pegada na oronimia da pedra, o ferro e o alcatrán. Nada perdura
para sempre, evoluciona e reconvértese nun novo leitmotiv para furtivos
noctámbulos de dedo áxil e catro rodas. Aquí e acolá, xermolan intentos
de rebabiloniciacións imposíbeis fronte a Persépolis emerxentes, parches
seléucidas de conveniencia. O inmediato como eixo vertebrador.
Desde as montañas dos deuses negros escoito ese esperanto moderno, a
onomatopea mecánica do val de outeiros grises e árbores de ferro. Miro
ao meu redor, comprendo e escribo, no penedo sagrado, as palabras que
nos farán libres. Coa esperanza de que quizais, algún día, unha delas
erga a cabeza e descubra que non sempre foron formigas.
E, nese
preciso momento, Sorley susurra no meu ouvido: watchful, heroic, the
Cuillin is seen rising on the other side of sorrow.
Rho Dourado, Ribadeo. Novembro de 2011.
ALBERTO POMBO - GALIZA
"Tingida de azul violência"
Nasceu no meio de uma madrugada tingida de azul violência. Servos
fiéis, os cães ladravam como prolongação dos fardados que enchiam o céu
de palavras limpas berrando o nome da mamã. As luzes davam medo. Cada
vez que um brilho cerúleo nos tocava a pele era como um galopar escuro
de metralhada pelas costas. Mamã também fugia do seu pânico de nunca
mais ser. Era a última evasão a ela própria e tinha comprado a liberação
espetando umas tesouras de costura no meio daquele homem asqueroso. Eu
tinha 7 anos e uma espiral infinita de horror e rancor nos olhos.
Furtivas traçámos um ziguezague pelos pátios cúmplices das vizinhas até
chegar aos pés da casa da mulher que curava as sombras.
A cidade crescia aos nossos olhos como um labirinto com boca negra de mal infectuoso
e portas fechadas. Hipócrita com aquelas caminhadas de normalidade pela
avenida que às vezes tinham dado cama de pedra dura para nós. Às poucas
horas começou o nascimento nos arrabaldes da liberdade. A minha irmã
viu a primeira claridade naquele tubo de luz da cozinha cheio de moscas
enquanto as mãos dos fardados punham música de tronos batendo nas portas
daquela casa. No que fora o nosso tecto, o nojento já devia ter enchido
o quarto de sangue e com certeza continuaria berrando como o porco que
era deixando a vida aos poucos. A mamã morreu naquela mesa que cheirava a
gordura de chouriço e a vida nova e para a minha irmã, a luz durou
pouco. A música de trovão terminou e começou o inverno.
Não
deviam ter passado mais de duas ou três semanas e já estávamos na casa
do nosso pai novamente. Aquele prédio mudo era parceiro do maltrato e
senti nojo ao pôr os pés naquele chão de caras conhecidas. No colo dos
senhores da justiça, a minha irmã fechou os olhos antes de ver o rosto
duro e impune daquele monstro.
Neste instante de caneta, tenho
12 anos e também eu tenho as mãos fortes para pegar nas tesouras
justiceiras e orgulhosas de mamã.
TANIA AF - GALIZA
Eles
nunca me dixeron como debía comportarme, non había pautas, non había
cores nin bandeiras na súa casa. Eles non ían da man, non se amaban...
así e todo a min abofé que me amaban... e moito.
Cada un dábame o
mellor de si mesmo, mais por separado. Tiven con el violentas
discusións, parolas noite e día, reconciliacións marabillosas. Tiven con
ela, silencio testemuño, comprensión sen verbas, retranca natural. Tal
era o mundo que nós compartiamos, que non nos decatamos do que acontecía
fóra dos seus valados. De vagar pasaron anos, anos significativos
especialmente para min por mor da miña corta idade, da miña xuventude
despois; anos significativos especialmente para eles por mor da súa
xuventude, da súa madureza despois.
Foi o mundo quen traspasou os nosos valados, eu mozo, eles xa un home
e unha muller, os tres afastados, os tres acubillados en tres novas
cidades. Eu acollín a miña, a que me foi dada, como iso, como acubillo
da miña dor tralo adeus, e segundo me ensinaran non lle apliquei pautas,
nin cores, nin bandeiras; houben de comela dun bocado, de respirala sen
prexuízos, percorrina canso sen descanso, baixe aos seus infernos,
acadei mesmo os seus ceos.
Foi a cidade quen traspasou o meu
“telón de aceiro”. Colliume no seu colo, batiume, mancoume o corpo todo,
púxome do revés. Nas súas rúas, nas súas tabernas, coa súa xente,
esquecinme deles, acordei de min mesmo. De súpeto pasaron anos.
Mais chegou o día no que por fin fun quen de volvelos ver. Paseei polas
súas cidades coma un simple turista que volta ao lugar onde mellor foi
tratado.
Hoxe, a piques de me despedir da miña cidade, non
sinto pesar non, síntome máis feliz ca nunca. Fago turismo varias veces
ao ano e sego sen ter pautas, nin cores nin bandeiras..., por iso
marcho.
EMILIO CAMBEIRO - GALIZA
Chámome
Soult. Cando nacín puxéronme nome de can. Seica era usual no rural da
beira atlántica ter sempre na casa algún can chamado Soult, mais ao eu
nacer xa non había can; así acabei eu co nome.
Hai uns tres
anos deixei o fogar natal no cal me eu criei. Viñen á cidade acompañando
ao meu “amo” nun día de moita calor. Lembro ben o sol a bater forte e
iluminar o grande río. Eu nunca visitara a cidade. Ningunha cidade.
Edificios, estradas, coches, tendas, persoas, bares, fume, luces e luces
e luces e centos e centos de luces que toleaban e fascinaban aos meus
inocentes ollos daquel tempo. A confusión. A loucura.
Ao cabo
dunhas poucas semanas xa lle perdera o pánico, o medo inicial ao
descoñecido. Comecei así a escapar pola noite e percorrer as ruelas dos
diferentes bairros, fascinado pola
contraste entre a pedra, a auga e os farois amarelos a palidecer no
escuro. Mais a miña perdición foi coñecer o meu bairro actual. Ruelas
imposíbeis a se cruzar en mil labirintos escuros que achegan a beira do
río coa montaña, onde está o señorial castelo que a coroa e observa con
desdén ao resto da cidade. Escadas, escadinhas, becos… igrexas, capelas,
panteóns… cantidade desmesurada de rueliñas e igrexas nunca antes vista
polos meus ollos felinos. Apaixoneime da súa noite de tal modo que
todas as noites sentíame estrañamente atraído por unha forza rara, que
me facía fuxir e me dirixir cara o lugar dos mil becos, ao lugar dos
vidros partidos polo chan do que nalgún momento pasado fora unha garrafa
de viño, lanzada violentamente contra as paredes por algún nostálxico
de Avril, até as pelotas da situación actual.
Esta necesidade
de a percorrer cada noite, mesmo como a necesidade do sangue a pasar
polas mil veas que atinxen o meu corpo e me dan a vida, foi o que me
levou a tomar a decisión de fuxir. Non nacera para animal de casa. Non
nacera para agardar ao meu “amo” e dar voltas sobre as súas pernas para
suplicar o meu alimento. Deixarme acariñar coma un parvo para ter
garantido o meu sustento e agardar por el, agardar na casa tendo todo o
bairro para min só… iso si que non.
Aos poucos funme
introducindo na súa vida até o día de hoxe, día que me considero un máis
dos seus habitantes; un máis a percorrer as súas rúas que me dan a
vida. Ser un máis, e compartir con eles os días, compartir as noites,
compartir as vellas mesas de madeira roída que soportan cóbados cansos e
xerras de viño, mentres o silencio sepulcral tacitamente pactado por
todos os que frecuentamos os tascos nocturnos deixa paso á voz e ao
lamento desgarrado. Deixa paso á poesía. Deixa paso á palabra
melancolía.
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